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Reflexões sobre o ecossistema do 5G no Brasil e América Latina, aprendizados do Telco Transformation

Por Daniela Almeida

Publicação original: LinkedIn

Eu demorei um pouco para conseguir colocar as ideias no papel, mas como dizem, antes tarde do que nunca :)


1- O 5G no Brasil teve um leilão de frequências bem desenhado do ponto de vista que promoveu uma dinâmica positiva para o aumento de cobertura e entrada de novos players e não teve formato arrecadatório sendo 90% do valor do leilão, que foi de aproximadamente USD 8,5 bi, revertido em obrigações de cobertura e de construção de uma rede para o governo. O leilão no Brasil foi o maior do mundo em disponibilidade de espectro de frequências e ainda exigiu a entrada do 5G stand alone, o padrão que já oferece todas as funcionalidades disruptivas do 5G como baixíssima latência e conexões massivas.

2- O cenário no restante da AL não se mostra tão animador no momento. O leilão no México teve muita sobra de frequências (somente 3 dos 41 blocos disponibilizados foram arrematados), no Chile, Uruguai e Porto Rico o leilão não atraiu novos entrantes e os demais países da América do Sul ainda não realizaram seus leilões. Dessa forma o 5G nesse primeiro momento ainda terá cobertura limitada na AL.

3- O custo mais alto de aparelhos ainda é uma barreira de entrada para a adoção do 5G, o preço médio de um aparelho Android gira na casa de USD 400, mas espera-se que essa barreira vá sendo reduzida com o aumento da adoção do 5G no mundo e também em função da priorização da nova tecnologia pelos fabricantes de aparelhos.

4- Ainda não sabemos qual será a primeira ‘killer application’ do 5G. Se no rastro do 4G, surgiram uber, whatsapp e outros apps que mudaram a forma como interagimos com o mundo, ainda não se sabe como a velocidade ainda mais alta (na casa dos Gbps), baixíssima latência e conexões massivas irão impactar primeiro, uma aposta é o mercado de games e realidade aumentada para jogos e eventos, outra é a adoção de redes privadas que possibilitam inovações como a indústria 4.0 e a internet das coisas.

5- Para viabilizar casos de uso disruptivos com o 5G é fundamental ter em mente que a arquitetura das redes precisa estar adequada às novas aplicações, em especial com a adoção de edge data centers e cloud native architecture.

6- As operadoras mostraram que entendem o contexto do 5G como um esforço coletivo de todo o ecossistema para a oferta de novos casos de uso e redução das barreiras de entrada, tendo em vista a complexidade envolvida nos novos casos de uso que o 5G irá viabilizar e o foco inicial no atendimento das metas de cobertura. A taxa de adoção do 5G no Brasil está sendo mais rápida do que foi a adoção da geração anterior (4G).









Fonte: Portal Teleco


7- Operadoras ainda têm desafios para adoção de uma infraestrutura telco cloud e modelo operativo que permita o lançamento de novos serviços e casos de uso do 5G com time to market, a modernização dos sistemas de BSS para tarifações diferenciadas e a adoção de network slicing também foram apontados como diferenciais para viabilizar novos modelos de negócio.

8- Mais um diferencial do mercado brasileiro é a quantidade players que se viabilizaram nos últimos anos como redes neutras, tower companies e novas operadoras regionais e de pequeno porte que vêm crescendo muito no mercado a ponto de já chamar a atenção das chamadas grandes operadoras, em especial no FTTH.

9- Provedores de redes neutras como V.Tal vêm o 5G FWA como uma possível estratégia para agilizar a entrada em novas cidades. A V.Tal hoje já tem mais de 40 clientes FTTH e para alguns ela oferece o serviço fim a fim, incluindo todo o deployment e gestão de rede até a casa do usuário.

10- O Brasil foi o 2º país do mundo em adição de FO em 2021. Essa tendência deve continuar nos próximos anos com a expansão dos pequenos provedores (PPP’s) que hoje já têm quase 50% do market share de banda larga fixa no Brasil.











Fonte: Portal Teleco


11- As Hyperscalers têm investido no mercado de telecomunicações e uma das possíveis portas de entrada nas operadoras e no mercado Enterprise é o Edge Compute. Empresas como o Google, AWS e Microsoft têm feito movimentos nessa direção com o lançamento de soluções específicas para serem instaladas no Edge que se integram às nuvens públicas, viabilizando o uso de ferramentas de IA, ML e analytics da nuvem.

12- Clientes das mais diversas verticais têm muito interesse nos novos casos de uso que o 5G pode viabilizar em especial naquilo que a tecnologia pode trazer de ganhos de produtividade, segurança e automação de processos, mesclado com a possibilidade de contrapartidas sociais, como é o caso da indústria, mineração e ferrovias onde além do uso do 5G para casos de negócio há um foco na cobertura das comunidades próximas. Empresas como Vale e Petrobras destacaram que o 5G já é considerado estratégico, mas ainda precisam de suporte para traduzir os ganhos com a tecnologia em números, em valor para o negócio.

13- A indústria ainda se recente da falta de dispositivos 5G, mas entende que é uma questão de tempo para o aumento dessa disponibilidade e redução de custos. Enquanto isso empresas como Vale têm realizado a substituição de redes WiFi ou WiMax por redes privadas 4G (e 5G no futuro), Vale e Petrobras destacaram que o uso de WiFi em áreas abertas se torna de difícil manutenção e por isso o 4G e o 5G são boas alternativas para aplicações de missão crítica dessas empresas em áreas outdoor.

14- O agronegócio é outra vertical que tem muito a lucrar com a adoção das tecnologias 4G e 5G em redes públicas e privadas. O agronegócio cobre de 30 a 35% do território nacional em regiões que muitas vezes carecem de infraestrutura de telecomunicações e acesso internet. A adoção de redes privadas e públicas com processamento local pode ajudar tanto do ponto de vista de disponibilidade de serviços quanto de aumento de produtividade com maior mecanização e automação no campo.

15- Finanças e healthcare são outras verticais que têm investido em explorar o potencial do 5G. O Banco Itaú iniciou os testes do 5G em agências antes mesmo do leilão de frequências e atualmente já conta com metade das agências usando a tecnologia 4G, o que melhorou muito a disponibilidade das mesmas, espera-se que o 5G possa habilitar novos casos de uso como realidade aumentada, o banco também estuda a adoção de redes privadas. O Hospital das Clínicas tem uma iniciativa de testes de casos de uso do 5G para saúde, contando com a parceria da Claro e da Ericsson para aplicações como realização de exames à distância e processamento de imagens na borda com IA e ML. Em ambos os setores o 5G é visto como um fator para facilitar o acesso a serviços de excelência que muitas vezes ficam restritos aos grandes centros urbanos.

16- A ANATEL também falou sobre os objetivos do 5G dentro da administração pública, em como o leilão foi pensado para priorizar os investimentos em cobertura e que o objetivo é que o Brasil tenha em 3 anos a maior cobertura 5G SA do mundo.

17- Também foram destacados pela ANATEL outros objetivos do governo com a adoção do 5G SA, como o desenvolvimento agropecuário com aumento do PIB do agro em 10% por ano, gestão de cidades/cidades inteligentes, gestão dos sistemas de saúde e aumento da competitividade no setor industrial para que ele volte a contribuir mais com o PIB (patamar de 25% de contribuição caiu para 11%).

18- Espera-se que esses impactos no PIB no Brasil, viabilizados pelo 5G SA, se tornem uma realidade numa janela nos próximos 10 a 15 anos.

19- A última reflexão, e talvez a mais importante para mim, é sobre a importância do encontro entre pessoas e como eventos como o Telco Transformation são muito bem-vindos no pós pandemia. Foi uma grande alegria trocar ideias, reencontrar amigos e conhecer novos colegas da indústria


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