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Fibra segue em alta; 5G engatinha na AL e ainda precisa de casos de uso para monetização

Por Roberta Prescott


A fibra ótica segue sendo o motor de crescimento do setor de telecomunicações, mas está chegando o momento quando a taxa de crescimento, mesmo que ainda alta, vem apresentando declínio. Além disso, o cenário atual aponta para as prestadoras de serviços de telecomunicações com dificuldade em rentabilizar os investimentos feitos em 5G e sem conseguirem inovar na prestação de serviços com a nova tecnologia. Esses foram os principais apontamentos apresentados por Ari Lopes, gerente-sênior de pesquisa para as Américas na OMDIA, ao abrir a sexta edição do Telco Transformation Latam, que ocorre nos dias 29 e 30/08, no Rio de Janeiro.


O total de receitas de conectividade no continente americano está em um sólido crescimento nos últimos anos, alcançando um faturamento de US$ 114,7 bilhões no primeiro trimestre de 2023 — um aumento impulsionado pelo lançamento de 5G nos Estados Unidos e pela banda larga fixa, apontou Ari Lopes. No entanto, ainda que em alta, com aumento de 8,6% no primeiro trimestre de 2023, na comparação ano contra ano no faturamento, as taxas de crescimento estão caindo desde o segundo trimestre de 2021: um sinal de alerta.


Já a banda larga móvel vem apresentando um crescimento interessante, ainda que o 5G seja muito novo em todo continente, com exceção dos Estados Unidos que estão mais avançados. O ano de 2023 será marcado por lançamentos comerciais de redes 5G e com novos entrantes como a Brisanet e Unifique no Brasil, um dos únicos mercados onde o leilão de espectro atraiu novas empresas. O Brasil, inclusive, é o terceiro país no mundo em termos de adições líquidas de fibra e o México, o décimo, colocando a América Latina com dois países entre os ‘top 10’ do mundo .


5G ainda distante na AL

O continente americano viu as conexões 5G aumentarem puxadas pelas implantações nos Estados Unidos, onde 38% das conexões são 5G, ficando entre um dos maiores market shares de 5G do mundo. Contudo, na América Latina, 5G ainda é muito incipiente, com uma muito baixa participação. “Com exceção dos EUA, o cenário é bastante incerto. Têm países como Brasil e México que começaram a crescer, mas o México tem 2,3% das conexões sendo 5G e Brasil, 3,8%, ou seja, é muito pouco. O Chile tem 15% e Porto Rico, que tem dinâmica mais próxima aos EUA, 25%. Mas a Colômbia ainda não lançou; na Argentina só a Telecom Argentina lançou”, ponderou Lopes.


Na AL, o número de conexões móveis permaneceram estáveis em 2019 e 2020 devido ao macrocenário influenciado pela pandemia. Mas, em 2021, a quantidade de conexões voltou a subir a uma taxa de 6% e daí impulsionada pela necessidade de conectividade por causa da pandemia. Quem mais ganhou foi o 4G. Em 2022, a taxa de crescimento de usuários móveis foi de 5% ano contra ano. A previsão da OMDIA para América Latina é de um aumento de 11% entre 2022 e 2027.


Ari Lopes ponderou que a expectativa é que o 5G será bem-sucedido, mas não tem ainda as condições de mercado, de lançamento de tecnologia da rede que permita que seja mais otimista em comparação ao desempenho que 4G teve ao ser lançado. Historicamente, o especialista apontou que 3G teve começo de adoção mais rápido que 2G e 4G foi mais rápido que 3G. No entanto, ainda não há evidências e evidências suficientes para respaldar uma análise de desempenho de 5G versus 4G.


A expectativa é que o Brasil tenha 61% de suas conexões sendo 5G e 36% em 4G em 2027.


Com relação à rentabilização. Lopes observou que na América Latina as operadoras que lançaram 5G foram bastante conservadores em pricing e não apresentaram inovação em produtos. “O máximo que encontramos foi pacote usando streaming, um ou outro plano de dados maiores, mas sem diferenciação. Com 5G, os clientes têm experiência melhor, com mais qualidade, mas não tem nada novo, nada da revolução que se esperava”, avaliou.


Para o mercado corporativo, que, tradicionalmente, apresenta ciclos mais longos para novas tecnologias , já existem projetos pilotos acontecendo, como de redes privadas — um caso para o qual o 4G vem atendendo às necessidades. “O momento de discussão no B2B é de como 5G vai se encaixar nas estratégias”, disse gerente-sênior de pesquisa para as Américas na OMDIA.



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