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FWA promete, mas custo de CPE e Fistel são entraves

As redes de acesso fixo sem fio (FWA, na sigla em inglês) tendem a se expandir com o avanço de 5G, mas enfrentam desafios como impostos e equipamentos, segundo apontaram Rodrigo Rescia, CTO da Vero Internet; Abraão Balbino, superintendente-executivo da Anatel, e Antonio José Silvério, gerente-executivo de engenharia da Claro, ao participar de painel no Telco Transformation Latam, evento da Conecta Latam, realizado nos dias 29 e 30/08, no Rio de Janeiro.


Para Abraão Balbino, da Anatel, FWA é uma tecnologia que se mostra competitiva e complementar à fibra ótica, uma vez que aplicações de realidade aumentada e realidade virtual vão demandar mais banda. Mas há fatores críticos para o avanço desta tecnologia. Rodrigo Rescia, da Vero Internet, destacou que uma barreira ainda é o alto custo dos equipamentos.


A Claro lançou solução FWA 5G no Brasil. “Estamos estudando no 26 GHz, mas CPE é ponto-chave e a oferta em 26 GHz é tímida. Tem também a questão da cobertura, estamos trabalhando nos testes, mas a questão reside no CPE, principalmente”, salientou Antonio Silvério.


Outra questão é a disputa pelos postes. Abraão Balbino, da Anatel, completou que se trata de uma incerteza regulatória. “É uma questão, hoje, para um provedor regional, quando ele tem que usar muito o poste e tem toda a dificuldade de estar legalizado; e muitos não estão devido aos custos advindos. Mas, à medida que se regula mais o poste, isso torna a fibra ótica uma rede mais cara de operar do que pode ser FWA. A Anatel tem sinalizado Wi-Fi 6E outdoor como uma terceira alternativa para bagunçar esta discussão”, apontou o superintendente-executivo da Anatel.


Além disso, a cobrança do Fistel pode ter forte impacto. “O Fistel é uma conta pesada; FWA tem empecilhos e o Fistel é um deles — e TFA e TFE são outros”, pontuou Rodrigo Rescia. Antonio José Silvério, da Claro, concordou e acrescentou que a tecnologia está entrando e já vem com o ônus da inovação. “Para ter escala de produção que justifique, principalmente, quando se está falando de FWA residencial, a desoneração que aconteceu com a fibra ótica se faz interessante no FWA”, justificou o gerente-executivo de engenharia da Claro, sugerindo que haja uma desoneração fiscal para FWA ganhar escala.


Do lado da Anatel, Abraão Balbino ponderou que se trata de uma questão antiga e que agora o momento é de discussão da reforma tributária e seus impactos no setor de telecomunicações. “Estamos no meio da discussão da reforma tributária e hoje não há espaço de discussão desta natureza [Fistel] até porque o foco do setor está no sentido de fazer com que telecom seja algo essencial para não ser mais penalizado na reforma tributária”, explicou. “Todo foco de energia do setor e até da Anatel é mostrar para o Congresso que tem de colocar telecom como serviço essencial”, completou.

Franquia em FWA

Proibida de ser cobrada na banda larga fixa, o debate sobre franquia de uso pode voltar com FWA, uma vez que se trata de uma tecnologia sem fio. Rodrigo Rescia, da Vero Internet, avaliou que, hoje, o consumidor não está preocupado com a franquia, até porque é quem sai ganhando, e as operadoras têm regras e análises de uso abusivo. Para Antonio Silvério, do ponto de vista do consumidor, ter franquia ilimitada é interessante, mas teria de ter isonomia.


Já o regulador ponderou que a simetria é fundamental para todo mundo e considerou revisar o tema. “Acho que temos de revisitar este tema. Como regulador, acho que isso tem de ser discutido. Qual é a alternativa, eu não sei, e está ligado a outros temas e não só pela questão de escassez que, em tese, a escassez da móvel diminuiu, mas o consumo explodiu. No Brasil, você está falando com tíquete menor, de 18 dólares em média por mês na banda larga fixa. É uma questão de sustentabilidade”, disse.




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