Cultura, governança e dados são essenciais para eficiência da IA
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O uso da inteligência artificial para promover eficiência e transformação nas empresas foi o tema central do painel “IA para eficiência e transformação”, moderado por Luciano Saboia, diretor de Pesquisa e Consultoria, Telecomunicações da IDC Brasil. Encarar os desafios de governança, cultura e infraestrutura na implementação de tecnologias de IA foram os principais apontamentos pelos debatedores.
A transição para uma estrutura que suporte a IA traz consigo o risco da “shadow AI” — IA na sombra, quando tecnologias são utilizadas sem a devida homologação da empresa. Thiago Madeira, gerente de dados e IA na Globo.com, destacou a importância de equilibrar o entusiasmo pela IA agêntica com padrões de segurança. "O hype da tecnologia ainda é muito grande, precisamos capacitar as pessoas e trazer a capacidade tecnológica para dentro da organização de forma segura e escalável", afirmou.
Janaina Marchesi, gerente de dados e IA do iFood, compartilhou a abordagem da empresa para mitigar riscos, que envolve um caminho híbrido. O iFood mantém uma área central de IA que define governança e plataformas, mas incentiva o uso distribuído na ponta. "No iFood, temos mais de 8 mil agentes, pois nossa meta era ter um agente criado por cada funcionário", revelou Marchesi.
Segundo ela, conviver com shadow AI permite entender o que funciona e o que não funciona, desde que sustentado por dados governados. "Trabalhamos com camada semântica, dados rotulados e acesso governado, onde cada pessoa consulta um agente com acesso ao que seu perfil permite", explicou.
Gustavo Taveira, Chief Artificial Intelligence Officer (CAIO) da Druid, reforçou que a democratização do tema começou com a popularização das versões públicas do ChatGPT, tirando a IA do escopo restrito das áreas de dados. Para Taveira, a estratégia de sucesso depende de dois pilares: letramento das equipes e a coragem de repensar problemas sob novas perspectivas, mantendo o foco nas pessoas.
Para priorizar iniciativas, Taveira sugere um mapeamento em três dimensões: o valor entregue ao negócio, o nível de prontidão da tecnologia e o esforço necessário para implementação. Ele ressalta que "nem sempre a receita que funciona para uma empresa vai funcionar para outra”.
A visão pragmática sobre o uso de dados também foi destacado por Diego Navarrete, head of technology evolution & mobile device homologation da Entel Peru & Chile. Navarrete defendeu a necessidade de romper silos de informação para consolidar fontes únicas, melhorando a qualidade e a disponibilidade dos dados.
Sobre o futuro da infraestrutura, Navarrete apontou para uma convergência. "Os terminais tendem a ser dispositivos mais potentes que permitem processamento local. No futuro, não será IA no device ou na nuvem, será convergente para realizar tarefas de forma mais eficiente", avaliou, ressaltando que ainda é necessário entender melhor os custos reais de inferência.
Complementando o foco em resultados, Thiago Madeira reforçou que, na Globo.com, o foco da infraestrutura está atrelado aos KPIs de negócio. "Toda a nossa personalização visa a mexer onde faz diferença. Já trabalhamos há mais de dez anos fazendo recomendação na ponta, sempre olhando para a retenção do consumidor", concluiu.




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