Desafios e tendências moldam a próxima onda da conectividade inteligente
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A necessidade de uma infraestrutura que vá além da simples conexão interpessoal foi destaque no painel de encerramento “Serviços Digitais e o Futuro da Conectividade Inteligente” do primeiro dia do Telco Transformation Latam 2026, realizado no Rio de Janeiro. Mediado por Mauro Fukuda, consultor de tecnologia, redes e serviços de telecom, o debate abordou o avanço das redes e as atuais necessidades para incrementar os serviços prestados.
André Martins, presidente executivo do Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais, pontuou que o desafio atual não é apenas cobrir as capitais, mas levar a infraestrutura a regiões rurais e não-urbanas, ressaltando que o caminho da conectividade seja pavimentado para viabilizar serviços essenciais.
Martins enfatizou que políticas públicas precisam ser mais integradas para acelerar a transformação digital, destacando que incentivos isolados, como os voltados a data centers, perdem eficácia se não forem acompanhados de investimentos em redes de alta capacidade e resiliência.
A gestão da complexidade tecnológica foi ilustrada pela experiência prática no Centro de Operações do Rio de Janeiro. Alexandre Goldfeld Cardeman, coordenador do COR-RJ, explicou que, sem o devido tratamento inteligente, o enorme volume de dados captado por sensores e câmeras de IoT torna-se apenas ruído.
Segundo Cardeman, a utilização de IA para realizar análises comportamentais e preditivas é o diferencial que permite antecipar cenários urbanos, desde que suportada por uma conectividade estável e de baixa latência, essencial para o monitoramento inteligente e a resposta rápida a demandas da cidade.
No âmbito da infraestrutura pública e social, Geraldo Segatto, diretor de operações da Entidade Administradora da Faixa, destacou a atuação da EAF em projetos que buscam levar conectividade a áreas onde a iniciativa privada ainda não alcançou, com foco em redes seguras e resilientes para o governo e o desenvolvimento de infovias, especialmente na região Amazônica.
Segatto sublinhou o modelo de sustentabilidade desses projetos, estruturados para garantir a manutenção de longo prazo e o impacto direto na vida de milhões de brasileiros.
Complementando a visão de mercado, Carlos Eduardo Sedeh, CEO da SAMM, refletiu sobre a reinvenção do setor de telecomunicações, que superou o papel restrito de vendedor de voz e dados para se tornar um facilitador de serviços digitais complexos. Para Sedeh, o momento atual em relação à inteligência artificial é puramente exploratório e de ruptura.
Ele comparou sua disrupção à ascensão das tecnologias móveis modernas e defendeu que as empresas e o governo devem manter a flexibilidade de pensamento diante da rápida evolução da IA, antecipando que o uso de modelos de linguagem de grande escala (LLMs) confinados e próprios será a tendência dominante para garantir segurança e eficiência.
Ao final, o painel convergiu para a premissa de que a próxima onda da IoT — que abrange desde a IA na borda (edge computing) até redes não terrestres — exigirá uma visão estratégica contínua para transformar os desafios da conectividade em oportunidades reais de desenvolvimento para o País.




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