Telcos estão na jornada de virarem TechCo
- kaiqueamaral1
- hace 9 horas
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Ao evoluírem de provedores de telecomunicações para empresas impulsionadas por tecnologia, as companhias se reinventam e miram novas receitas
Roberta Prescott
Não faz muito tempo que a Algar Telecom anunciou uma mudança de posicionamento de marca, passando a ser chamada simplesmente de Algar. Tirar o ‘telecom’ do nome foi mais um passo na jornada da companhia reforçar sua transformação. “As receitas de serviços digitais já representam 15% das receitas do total. A Algar leva tão à sério esta transformação para TechCo que retiramos telecom do nome”, disse Zaima Milazzo, VP de tecnologia, evolução digital, agilidade e inovação da Algar, no painel de encerramento do primeiro dia do TELCO TRANSFORMATION LATAM 2025, realizado nesta quarta-feira (27/8), no Rio de Janeiro.
A história da Algar — que também desenvolveu um amplo portfólio, indo além da conectividade e integrando de soluções de internet das coisas de forma verticalizada para resolver dores e problemas dos clientes até fornecimento de telemedicina e energia limpa — ilustra o caminho que as prestadoras de serviços de telecomunicações estão percorrendo para se transformarem de uma telco para uma companhia impulsionada por tecnologia, uma TechCo. “Somos um hub de soluções; queremos entender os desafios dos clientes no dia a dia e levar soluções completas para que eles tenham a Algar como parceiro nos negócios”, afirmou a VP.
A Vivo também tem trilhado este caminho que não se enquadra apenas como uma telco tradicional, assim como a Telecable Costa Rica que vem incorporando serviços dentro do portfólio buscando aqueles que agreguem valor. “Vemos uma tendência em focar por indústrias, porque tem toda uma dinâmica que é distinta por vertical e é importante estar perto aos clientes”, justificou Arturo Saenz Soto, director de unidad de negocios empresarial da Telecable Costa Rica.
Para tanto, os líderes devem estar atentos aos diferentes tipos de tecnologias e ter no radar as mudanças nas redes. “A computação quântica é onde efetivamente veremos mudanças e também tem a parte de automação de redes que o TM Forum propõe cinco níveis. No geral, estas mudanças vêm para transformar e é questão de cultura e dos parceiros estarem preparados”, assinalou Marcos Antonio Manoel Alves, account executive director da Minsait.
Contudo, para o processo de transformação, a primeira tecnologia a considerar — e que é base de tudo — é a conectividade. “E não como internet, mas como um bom serviço de rede, porque sem isso, se não temos este ponto de partida, não podemos incorporar outros serviços”, ressaltou Saenz Soto. Nesse sentido, há muitas ferramentas que ajudam com a automação da rede. “Normalmente, deve-se começar pela camada de networking, que é a mais natural de transformação para TechCo, e incorporar serviços de rede em projetos como Opex e não Capex. Depois, têm todos os serviços que podem agregar valor, tais como qualidade, monitoramento, otimização de custos, e daí incorporar a camada de tecnologia e, como último, incorporar a inteligência artificial generativa”, enumerou o executivo da Telecable Costa Rica.
Para Guilherme Fernandes Silveira, diretor de engenharia, transformação digital e redes da Vivo, deve-se trabalhar uma boa governança de dados, além de prover conectividade e serviço excelente. “As transformações vêm nos atropelando, porque os ciclos estão cada vez mais curtos; e todas as transformações e sistemas estão sendo avassaladores e precisamos endereçá-los da melhor forma possível”, frisou Silveira.
Uma destas tecnologias é justamente a inteligência artificial. “Adotar IA vai trazer eficiência para nos mantermos competitivos. Na Algar, iniciamos o plano há 1,5 ano e temos exemplos para citar, como famílias de agentes inteligentes — uma que nos ajuda a melhorar a experiência do cliente e fez reduzir nossos custos e outra roda em vendas, onde temos o sales copilot que auxilia os nossos vendedores a entender as soluções”, explicou Zaima Milazzo. A jornada não tem dois anos e segundo a executiva já fez a margem Ebitda aumentar.
Na Vivo, os grandes desafios para tratar da rede são tão grandes quanto a própria companhia. “Temos como palavra de ordem conseguir uma rede autônoma e atuar de forma preditiva para, por exemplo, uma predição de churn, associada à predição de comportamento técnico de cada cliente para saber onde atuar de forma preditiva, prevendo quem tem mais predisposição a churn”, assinalou Silveira.
Saenz Soto acrescentou que existem muitas maneiras de aproveitar as ferramentas de inteligência artificial. “É muito difícil uma pessoa ficar olhando as telas com muitos alertas, então IA pode monitorar e apontar. E também IA para análise de sentimentos gerando panorama mais claro de onde estamos na satisfação dos clientes com os serviços”, exemplificou.
Saber fazer as perguntas certas também é condição-chave para o sucesso. “IA é o meio para você chegar aonde você quer. Governança é fundamental quando entra o agente dos agentes, porque, se não tiver governança, têm alucinações. Você deve ter claramente definidos a expectativa e o caso de uso, porque a tecnologia só vai ajudar a chegar lá”, finalizou Alves, da Minsait.

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