Neoclouds, computação na borda e energia: os pilares da nova infraestrutura digital
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A corrida pela eficiência em inteligência artificial (IA) passa pela redução da latência e pela disponibilidade de energia elétrica — e está redesenhando o mapa da tecnologia corporativa. Durante o painel "Neoclouds e novos modelos de cloud distribuída", moderado por Ignacio Perrone, Research Director de TIC da Frost & Sullivan e que encerrou o Telco Transformation Latam 2026, nesta quarta (20/8), especialistas dos setores de mídia, energia e telecomunicações debateram como a descentralização de dados e as nuvens especializadas estão complementando o modelo centralizado dos hyperscalers tradicionais.
A proximidade com o usuário final tornou-se o principal direcionador de arquitetura de rede. No setor de mídia, essa transformação é nítida. Jonas Ribeiro, Head de Infraestrutura & Telecom Products da Globo, explicou que a empresa reestruturou sua operação após o boom do streaming.
"Tínhamos grandes data centers no Rio e em São Paulo; nós os vendemos, migramos parte para a nuvem pública e outra parte foi para a borda, contando com as nossas afiliadas que conhecem as diferentes culturas e necessidades de cada região do Brasil", destacou Ribeiro. A estratégia é vital para suportar a chegada da TV 3.0, que promete convergir a experiência do broadcast com a personalização digital.
Na frente de computação de alto desempenho (HPC) e IA, as neoclouds ganham espaço como alternativas ágeis. Lucas Dutra Pinz, Diretor dos Centros de Excelência Digitais da Axia Energia (antiga Eletrobras), revelou que a companhia foi pioneira ao criar sua própria neocloud para suprir a demanda interna por GPUs voltadas ao treinamento de modelos de IA, abrindo o modelo para o mercado posteriormente.
Segundo Pinz, o setor de energia lida com quase um trilhão de parâmetros por mês, exigindo respostas em microssegundos. Contudo, o executivo fez um alerta sobre o maior limitador tecnológico da atualidade. Ele ressaltou que o principal fator é o tempo. “Enquanto GPUs podem ser adquiridas em alguns meses, a infraestrutura de energia pode levar anos para ser viabilizada devido a leilões, transformadores e competição global”, assinalou.
Nesse sentido, o Brasil possui vantagem por possuir uma matriz energética robusta, sendo o desafio real a logística de transporte e distribuição dessa energia até os data centers.
Hoje, a Axia utiliza centenas de agentes de IA para otimizar Opex em áreas como engenharia, jurídico e suporte à decisão dos operadores, utilizando modelos open source para mitigar a explosão nos custos de tokens.
A segurança e a soberania dos dados também impulsionam o avanço do processamento descentralizado. Eduardo Takeshi, ICT Strategy and Partnerships Director da Liberty Latin America, pontuou que o mercado amadureceu quanto ao local ideal de execução de cada carga de trabalho (workload). "A inteligência artificial trouxe como requisito número um a segurança e o compliance dos dados, reforçando a borda como premissa", afirmou Takeshi. Ele lembrou que as empresas de telecomunicações detêm ativos cruciais para garantir a capilaridade e a resiliência operacional necessária para evitar pontos únicos de falha.
Visões de Futuro
Eduardo Takeshi, da Liberty, destacou que o modelo híbrido e distribuído deixará de ser inovação para se tornar a visão óbvia de mercado, enquanto Jonas Ribeiro,da Globo.com, apontou que, em três anos, o ecossistema será massivamente descentralizado, tendo como principal desafio a complexidade de controle, suporte e eficiência operacional.
Para Lucas Dutra Pinz, da Axia Energia, a escolha dos locais de instalação de neoclouds no futuro não será ditada por CIOs, mas sim por engenheiros de energia.




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