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Convergência entre energia, telecomunicações e computação ditam planejamento do setor

  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

A infraestrutura digital da América Latina enfrenta desafios a partir do avanço acelerado da inteligência artificial e a explosão no consumo de dados. Um dos gargalos mais citados no painel "Conectividade sem Fronteiras — Satélites, Data Centers, Energia e IA", que abriu o segundo dia do Telco Transformation Latam, realizado no Rio de Janeiro nos dias 19 e 20 de agosto, foi o da energia elétrica. Os painelistas apontaram que a convergência entre energia, telecomunicações e computação redefine o planejamento estratégico do setor.


Moderado por Luciano Saboia, diretor de Pesquisa e Consultoria, Telecomunicações da IDC Brasil, o painel apontou que a expansão da capacidade de processamento esbarra diretamente na disponibilidade de infraestrutura e energia elétrica. Segundo João Walter Silva, diretor de Arquitetura, Soluções e Estratégias de Edge da Ascenty, o grande desafio é estruturar redes no momento certo e que estejam devidamente conectadas. Ele ressaltou que o Brasil possui energia em abundância, mas nem sempre localizada onde há maior demanda impulsionada pela IA. 


Na mesma linha, Selio Italo, team leader Data Center Operations da Cirion, destacou que o setor caminha para atingir 13 gigawatts de capacidade instalada até 2035, alertando que o principal obstáculo é a construção de linhas de transmissão capazes de escoar essa energia até os locais de instalação.


A pressão sobre os recursos energéticos e computacionais também afeta as operadoras de telecomunicações. Diego Navarrete, head of Technology Evolution & Mobile Device Homologation da Entel Peru & Chile, pontuou que, historicamente, as telcos disputavam cobertura e espectro, mas, nos próximos anos, a competição será pela infraestrutura computacional. 


Juan Pablo Pignataro, gerente da divisão de desenvolvimento digital empresarial da Antel Uruguai, acrescentou que a transformação dos modelos de negócios valoriza a conectividade e a proximidade do processamento com o cliente, alertando que o ciclo de produção de componentes como CPUs é mais curto do que o tempo necessário para gerar novas fontes de energia.


Para lidar com a nova realidade de cargas intensivas e uso massivo de placas de vídeo, a operação dos centros de dados passa por mudanças estruturais. Selio Italo, da Cirion, explicou que a inteligência artificial alterou o paradigma dos data centers, reduzindo a necessidade de espaço físico por concentrar dezenas de unidades de processamento gráfico em um único rack, o que transfere o foco do planejamento para a capacidade elétrica e térmica. O executivo também destacou que a união entre a alta disponibilidade dos data centers e a capilaridade de mercado das operadoras fortalece o ecossistema digital.


No setor de mídia e entretenimento, a exigência por transmissões em alta definição, baixa latência e conteúdos como 4K exige redimensionamento de redes e estratégias avançadas de entrega. Beatriz Santos de Souza, product owner senior da Globo, explicou que a empresa adota múltiplas redes de distribuição de conteúdo para garantir elasticidade operacional, evitar a ociosidade de maquinário e manter a eficiência de custos diante de um mercado latino-americano heterogêneo. “A Globo é uma empresa onde temos criação de conteúdo, mas também somos plataforma de streaming. A infraestrutura não é somente aumentar a capacidade, temos de pensar que não é só banda, precisamos ter estratégia onde conseguimos juntar todos os detalhes e conseguimos ter resiliência e qualidade”, disse. 


O dimensionamento dos data centers da Globo não é mais pensado em picos, porque isso onera muito o capital, tendo, durante o ano, muito maquinário ocioso consumindo capital. Aí entra a estratégia de múltiplas CDNs, colocando infraestrutura que atenda ao dia a dia e elasticidade na capacidade, ao mesmo tempo em que diminui o tempo ocioso das máquinas. 


Complementando a visão sobre a arquitetura distribuída, João Walter Silva, da Ascenty, ressaltou que a computação de borda deixou de ser apenas um conceito para se tornar parte integrada dos ambientes em larga escala, enquanto Juan Pablo Pignataro destacou que a soberania digital envolve proteção de dados e segurança alinhada ao desenvolvimento estratégico dos países.



 
 
 

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