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Telcos devem focar em melhorar rentabilidade e margens EBITDA

  • hace 6 días
  • 4 min de lectura

Para Sonia Agnese, da Omdia, é preciso otimizar ativos por meio de economias de escala, atualizar a infraestrutura digital para aproveitar a IA e consolidar a oferta de serviços de valor agregado no mercado corporativo 


Diante de ingressos de receitas que crescem levemente e uma realidade de forte concorrência entre as prestadoras de serviços de telecomunicações, o foco principal das operadoras, hoje, deve ser melhorar sua rentabilidade e suas margens Ebitda. Na América Latina, o desafio também inclui evoluir para além da conectividade básica. 


Em sua apresentação como keynote do Telco Transformation Latam 2026, realizado nos dias 19 e 20 de agosto no Rio de Janeiro, Sonia Agnese, analista-sênior principal da Omdia para América Latina, destacou que a chave do sucesso para os próximos anos consiste em otimizar ativos por meio de economias de escala, atualizar a infraestrutura digital para aproveitar a IA e consolidar a oferta de serviços de valor agregado no mercado corporativo. 


A otimização de ativos estratégicos está relacionada ao processo de fusões e aquisições, à obtenção de maiores economias de escala e à busca de sinergias para que se tornem mais eficientes. No que se refere à melhoria das margens de lucro, é necessário focar em  investimentos cada vez mais inteligentes, garantindo que tenham retorno. “Essencialmente, é fazer as mesmas coisas de forma mais eficiente e melhorar essas margens, que, como observamos na América Latina, são geralmente superiores à média global, mas que também precisam ser aprimoradas”, assinalou a analista.


A atualização da infraestrutura é importante para que seja possível utilizar inteligência artificial e aproveitar seus benefícios para os consumidores internamente. “Precisamos de uma infraestrutura digital atualizada na nuvem, com capacidade de resposta rápida e habilidade para utilizar dados de forma eficaz”, apontou. 


Falando sobre novos serviços, Sonia Agnese ponderou que grande parte deles provêm do mercado corporativo (B2B), principalmente em certos setores como logística, serviços governamentais, manufatura e agricultura. “Há muito trabalho a ser feito nessas áreas, enquanto também continuamos a inovar com serviços para os consumidores”, ressaltou. 


Panorama do setor

Em escala mundial, as receitas do setor de telecomunicações registraram um crescimento de quase 4% entre 2024 e 2025, praticamente o dobro do período anterior (1,9%). Embora seja uma tendência positiva, o índice permanece muito abaixo dos ritmos de expansão habituais em outros segmentos tecnológicos.


No que tange especificamente à conectividade, as receitas cresceram 3,7%, lideradas pela banda larga fixa (6,2%) e pela banda larga móvel (4%), números que compensam a queda de 7% nos serviços tradicionais de voz.


No entanto, a América Latina encontra-se atrasada em relação a outras regiões de mercados emergentes. O mercado de conectividade na região cresceu apenas 1,5%, impactado tanto pela lentidão orgânica quanto por flutuações cambiais e desvalorizações frente ao dólar. 


O ARPU móvel na América Latina situa-se em cerca de US$ 6, abaixo da média global de US$ 8,5 e distante dos US$ 26 registrados na América do Norte. Países como Brasil (US$ 5) e Colômbia (US$ 3) refletem a forte presença de modelos pré-pagos, enquanto o Chile e o México aproximam-se de US$ 8 graças a uma maior penetração de planos pós-pagos (alcançando 81% no caso chileno).


No que se refere à banda larga fixa, apesar do aumento na base de assinantes, a intensa competição e a entrada de pequenos operadores de fibra baratearam os preços, mantendo o ARPU de fibra estagnado ou em retração (US$ 19 no Brasil e US$ 17 na Argentina).


Para conter a pressão sobre as margens, o setor intensificou as movimentações de fusões e aquisições. Na América Latina, destacam-se a saída de operadoras tradicionais, consolidações na América Central e recentes transações estratégicas — como a aquisição da Desktop no Brasil e da Wim (Wi-Net Telecom) no Peru pela América Móvil, com o objetivo de expandir suas redes de fibra.


Atualmente, cinco grandes grupos (liderados por América Móvil, Telefônica/Vivo, TIM Brasil, Telecom Argentina e Millicom) concentram 65% do mercado, coexistindo com uma grande dispersão de operadores locais independentes.


Crescimento lento do 5G na AL

A expansão do 5G está ocorrendo de forma mais lenta que esperado e, de maneira geral, sendo inclusive mais lenta do que foi a do 4G em seus primeiros anos. Cerca de 70% de todos os assinantes 5G do mundo estão concentrados em apenas três grandes países: China, Índia e Estados Unidos. Na América Latina, a média de penetração de 5G está em torno de 17%, ficando atrás da maioria das outras regiões globais — embora alguns países da região, como o Brasil, apresentem desempenhos um pouco mais destacados em números absolutos.


Observa-se também a quebra da promessa de monetização. De acordo com a analista, uma das grandes frustrações apontadas no modelo de negócios inicial foi a expectativa de que os consumidores estariam dispostos a pagar uma tarifa mais cara simplesmente por terem acesso a uma rede 5G, o que, na prática, não aconteceu. 


Ela explicou que os usuários migraram para o 5G, conforme os aparelhos se tornaram acessíveis, mas as operadoras não conseguiram elevar a receita média por usuário com base apenas na promessa de velocidade para o consumidor final (B2C).


Dessa forma, as operadoras enfrentam o dilema de continuar investindo pesadamente na atualização e expansão de infraestrutura para fechar gargalos de cobertura, mas esbarram na lentidão do retorno financeiro (ROI).


Para ela, o verdadeiro potencial de monetização do 5G recae sobre o mercado corporativo e industrial (como automação, logística e agricultura de precisão), onde a baixa latência e a alta capacidade de conexão de dispositivos (IoT) entregam valor real que as empresas estão dispostas a pagar.



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