Transição para techcos, foco no B2B e IA ditam futuro das telcos
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O setor global de telecomunicações passa por um momento de redefinir o seu papel na cadeia de valor digital, uma vez que a conectividade tradicional já não garante os saltos de receita de antigamente. O tom central do painel "Monetização e Reconfiguração do Modelo de Negócio Telco", mediado por Sonia Agnese, analista-sênior principais para América Latina da Omdia, apontou para o caminho de as prestadoras de serviços de telecomunicações deixarem de ser meras provedoras de infraestrutura para se consolidarem como verdadeiras empresas de tecnologia, as chamadas TechCos.
Isso passa pela evolução para redes em nuvem (cloudificadas), abertas e autônomas como forma de destravar eficiência e gerar novas fontes de receitas, exigindo parcerias estratégicas, novos talentos e modelos comerciais híbridos. Um dos pontos altos do debate foi a centralidade do mercado corporativo (B2B) como principal vetor de crescimento para as operadoras.
Para Eduardo Takeshi, diretor de estratégias e parcerias TIC da Liberty para América Latina, o foco em empresas e governos é fundamental, porque esses clientes atravessam processos contínuos de transformação digital e demandam aliados sólidos. "Existem muitas oportunidades e as que estou envolvido estão relacionadas a serviços B2B, porque empresas e governo estão em processo de transformação, vão continuar e sempre vão necessitar de aliados para, no fim, ajudar nesta transformação. No nosso dia a dia, de visitas a clientes, vejo que buscam parceiros sólidos e local, e isso é reforço para abertura de mercado e desenvolvimento", destacou Takeshi, explicando que os investimentos da Liberty são diversificados entre mercados integrados fixo-móvel, operações exclusivamente B2B e infraestrutura de cabos submarinos.
Essa guinada para serviços de valor agregado já é realidade na Algar, conforme pontuou Ivan Mendes, presidente do Brain (Centro de Inovação em Negócios Digitais). “A Algar tem mais receita B2B que B2C e extrai valor de outras linhas de negócios como consultivo, como segurança cibernética, derivados da cloud, prestação de serviços, aproveitando a oportunidade de que grande parte das empresas encontre um porto-seguro em nós”, disse.
Mendes enfatizou que o setor precisa evoluir: “Temos de deixar de ser apenas telecom para ser prestador de serviço, e para isso temos de nos aprofundar em tecnologias, transformações e fazer mais e mais parcerias com quem é específico das áreas”.
No México, a Izzi segue uma rota similar de revalorização de sua infraestrutura. O subdiretor de inovação e tecnologia da companhia, Pablo Castillo, ressaltou o esforço bilionário e contínuo da empresa nos últimos cinco anos na expansão da fibra óptica (FTTH), cuja reconstrução total deve ser concluída no próximo ano. “Muito da prática de hoje está ao redor da conectividade e de como podemos deixar de ser provedores de dutos, mas esta conectividade sempre vai ser relevante. Nosso desafio é monetizar os ativos e as capacidades que estão disponíveis. Não é vender mais só, mas como ter mais valor", afirmou Castillo, destacando a métrica de rentabilizar os ativos através de casos de negócios sólidos suportados pelo Capex.
Inteligência artificial, autonomia de redes e soberania digital
A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar o núcleo operacional e comercial das empresas do setor, atuando em duas frentes: eficiência interna e empacotamento de novas soluções para o mercado.
Segundo Marcos Antonio Manoel Alves, diretor de telco e mídia para Brasil da Minsait, a autonomia extrema das redes será incontornável. "É improvável pensar em como seria o atendimento, o NOC [centro de operações de rede] ou os processos sem inteligência artificial embarcada. Agora se discute como escalar a autonomia. As oportunidades acabam surgindo na produtização, em novos serviços e, a partir da eficiência, você consegue gerar produtos cross de ecossistema", avaliou Alves, reforçando que o modelo exige que as operadoras transformem seus próprios ativos internos em produtos estruturados para o mercado.
Na visão de Ivan Mendes, o futuro aponta diretamente para a consolidação da "techco", sendo, em suas palavras, o futuro das empresas de telecom. “Estamos demorando para nos transformarmos nisso, achamos que poderíamos fazer sozinhos, mas já caímos na real que vamos precisar dos integradores. É um plano de longo prazo que é sustentável. IA, segurança e cloud e mais uma camada grande de serviços gerenciados e agregados às frentes tecnológicas. Penso que o próximo futuro é ajudar os CTOs a dormirem em paz”, enfatizou.
Ele exemplificou que, na Algar, um centro de excelência foca em extrair valor dos dados com IA: “Para dentro, estamos bem otimizados, temos cem agentes rodando que vão melhorando à medida que o tempo anda, e para fora ainda estamos embrionários, mas pretendemos crescer rápido”.
Complementando a análise sobre a infraestrutura e a nuvem, Eduardo Takeshi ressaltou que o ambiente híbrido será o ponto de inflexão para o setor. “Vemos verticais de cloud, inteligência artificial e segurança envolvidas em serviços profissionais e administrados como linhas de receita com duas perspectivas: integração e ambientes híbridos”, disse, explicando que o híbrido é o que vai tornar telecom parte do design, porque vai ser a ponte entre o ambiente privado com os benefícios das funcionalidades de plataforma em nuvem. “Não é um ou outro, é onde o melhor workload performa, e o ambiente híbrido será o ponto de mudança, sendo a conectividade parte crítica e fundamental para a integração”, resumiu.
O painel concluiu que o sucesso financeiro e a sustentabilidade das operadoras dependerão diretamente da capacidade de otimizar ativos estratégicos, elevar as margens EBITDA através da automação inteligente e diversificar a receita corporativa em parceria com o ecossistema tecnológico global.




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